Encerramos esta semana com muitas reticências, muitos pontos suspensos, porque, embora este ano esteja marcado pela arrogância desmedida do imperialismo, que já nem sequer respeita as regras impostas aos demais, quando pensamos que já não poderia nos surpreender, a realidade mostra que sempre pode ser pior.
Esta semana foi marcada por vários acontecimentos: o decreto de estado de exceção na Bolívia, que obrigou as mobilizações populares a fazer uma trégua; os terremotos na pátria de Chávez e Bolívar e as consequências catastróficas que deixaram; e o segundo turno das eleições colombianas, que transformou em realidade um resultado há muito temido.
Cada um desses acontecimentos merece a devida atenção. Não começo pela Colômbia por ser mais urgente ou mais importante, mas porque acredito que esse país carregou sobre os ombros as esperanças de uma América Latina frustrada ao ver, país após país, cair nas mãos da extrema direita por meio de processos eleitorais que seguem um padrão difícil de considerar mera coincidência.
A transição de governos de esquerda para governos de direita — ou de extrema direita — foi decidida, em quase todos os casos, exceto em Honduras, por meio de um segundo turno. Todos os partidos declarados vencedores contaram com apoio incondicional do sionismo e contrariaram todas as previsões. Até mesmo os institutos de pesquisa alinhados à direita apontavam resultados muito diferentes dos oficialmente anunciados.
Em todos esses casos — Equador, Peru e Colômbia, já que a Bolívia viveu outro processo — foram registradas e denunciadas irregularidades e supostas fraudes eleitorais. No Peru e na Colômbia, além disso, as margens de diferença foram mínimas. Essas coincidências levantam sérias dúvidas sobre a transparência que deveria caracterizar um processo democrático.
O que aconteceu na Colômbia, portanto, não foi um caso isolado. Ainda assim, coube a esse país carregar o peso da esperança da América do Sul, sendo o último da região que ainda parecia capaz de escapar dos tentáculos do Norte e de seus aliados.
Faltou muito pouco. Mas quero dizer a esse país e ao seu povo — que sofreu o indizível sob governos despóticos que desconheciam o significado da paz, o valor da vida humana e de sua própria história — que um dia depositou sua confiança na mudança. Confiou em um líder que, apesar das limitações, das ameaças e das constantes campanhas de difamação, soube enfrentar a hegemonia dominante do mundo, defendendo a dignidade de seu povo e também a de outros povos que sofrem sob o governo sionista, reconhecendo o Estado da Palestina quando tão poucos tiveram essa coragem, denunciando o Estado de Israel como assassino e ilegal e, sobretudo, transformando seus discursos em ações.
Quando o povo colombiano voltou às urnas para decidir seu futuro, as redes sociais da esquerda em todo o mundo se encheram de alertas antes da votação e de críticas depois dela. No entanto, poucos reconhecem que uma diferença inferior a um por cento apagou as conquistas do governo anterior por meio das mesmas práticas desleais, nas quais eleitores indecisos, previamente manipulados, acabaram premiando o esquecimento.
Mesmo assim, aqueles que votaram em Iván Cepeda — quase metade da população do segundo país mais populoso da América do Sul, quase o dobro da população total da Bolívia — votaram com consciência e convicção. Para vencer essa vontade popular, a direita precisou recorrer a manobras fraudulentas apoiadas por seus aliados internacionais, especialistas nesse tipo de prática. Ainda assim, essa quase metade do país saiu às ruas para defender seu voto com dignidade, porque naquele voto havia compromisso.
Se lhes roubaram a vitória, é porque uma versão atualizada da Operação Condor continua pairando sobre todo o nosso continente. Mas isso não significa que o desfecho seja definitivo. Essa parte firme do povo colombiano mostrou que o Pacto Histórico continua sendo uma força indelével, um projeto irreversível que nenhuma derrota eleitoral poderá apagar da consciência popular. Sua causa permanece viva, sua esperança intacta e seu retorno é apenas uma questão de tempo. Chegará o dia em que voltará a ser realidade, porque convicções não são derrotadas por fraudes nem por manobras. Até lá, sem baixar a guarda, de cabeça erguida e punho cerrado.
¡Hasta la victoria siempre!
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